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quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Coagulação sanguínea

A coagulação sanguínea é uma sequência complexa de reações químicas que resultam na formação de um coágulo de fibrina. É uma parte importante da hemostasia (o cessamento da perda de sangue de um vaso danificado), na qual a parede de vaso sanguíneo danificado é coberta por um coágulo de fibrina para parar o sangramento e ajudar a reparar o tecido danificado. Desordens na coagulação podem levar a um aumento no risco de hemorragia, trombose ou embolismo.
A coagulação é semelhante nas várias espécies de mamíferos. Em todos eles o processo envolve um mecanismo combinado de células (plaquetas) e proteínas (fatores de coagulação). Esse sistema nos humanos é o mais extensamente pesquisado e consequentemente o mais bem conhecido. Esse artigo é focado na coagulação sanguínea humana.

isão geral

Em um indivíduo normal, a coagulação é iniciada dentro de 20 segundos após a lesão ocorrer ao vaso sanguíneo causando dano às células endoteliais. As plaquetas formam imediatamente um tampão plaquetário no local da lesão. Essa é a chamada hemostasia primária. A hemostasia secundária acontece quando os componentes do plasma chamados fatores de coagulação respondem (em uma completa cascata de reações) para formar fios de fibrina, que fortalecem o tampão plaquetário. Ao contrário da crença comum, a coagulação a partir de um corte na pele não é iniciada pelo ar ou através da secagem da área, na verdade ocorre através das plaquetas que se aderem e que são ativadas pelo colágeno do endotélio do vaso sanguíneo que fica exposto, quando cortado o vaso. As plaquetas ativadas então liberam o conteúdo de seus grânulos, que contém uma grande variedade de substâncias que estimulam uma ativação ainda maior de outras plaquetas e melhoram o processo hemostásico..

[editar] Hemostasia Primária

  • Vasoconstrição: primeiramente o vaso lesado se contrai.
  • Adesão: Inicia-se quando as plaquetas se aderem ao endotélio vascular. Essa aderência acontece com uma ligação entre a glicoproteína Ib/IX/V na superfície das plaquetas e colágeno exposto durante a lesão do endotélio. Essa ligação é mediada pelo fator de von Willebrand que funciona como uma "ponte" entre a superfície da plaqueta e o colágeno. Quando ocorre uma desordem qualitativa ou quantitativa deste fator ocorre a Doença de von Willebrand. A aderência leva a ativação plaquetária. Quando ocorre falta da glicoporteína Ib ocorre a Síndrome de Bernard-Soulier.
  • Ativação Plaquetária: Quando ocorre a ativação das plaquetas, elas mudam de forma e liberam conteúdos dos seus grânulos no plasma entre eles produtos de oxidação do ácido araquidônico pela via cicloxigenase (PGH2 e seu produto, o tromboxane), ADP, fator de ativação plaquetária (PAF). Quando ocorre uso de aspirina por um indivíduo, ocorre a inativação da enzima cicloxigenase evitando a síntese de PGH2 e tromboxane e ocorre um prolongamento do tempo de sangramento.
  • Agregação plaquetária: as plaquetas se agregam uma às outras, formando o chamado "trombo branco".

[editar] Hemostasia Secundária

[editar] Cascata de Coagulação

Cascata de Coagulação. Legenda: HMWK =Cininogênio de Alto Peso Molecular, PK= Precalicreína, TFPI =Inibidor do Fator Tissular. Seta preta= conversão/ativação de fatores. Seta vermelha=ação dos inibidores. Seta Azul= reações catalisadas por fatores ativados. Seta Cinza= várias funções da trombina.
Possui duas vías: intrínseca (vía da ativação de contato) e extrínseca (vía do fator tissular). Ambas vías tem grande importância e acabam se juntando para formação do coágulo de fibrina. Os fatores de coagulação são numerados por algarismos romanos e a adição da letra a indica que eles estão em sua forma ativada. Os fatores de coagulação são geralmente enzimas (serino proteases) com exceção dos fatores V e VIII que são glicoproteínas e do fator XIII que é uma transglutaminase. As serino proteases agem clivando outras proteínas.

[editar] Vía intrínseca

  • Necessita dos factores de coagulação VIII, IX, X, XI e XII além das proteínas pré-calicreína (PK), cininogênio de alto peso molecular (HWHK) e íons cálcio.
  • Começa quando a PK, o HWHK, factor XI e XII são expostos a cargas negativas do vaso lesado, isso é chamado de "fase de contacto".
  • A pré-calicreína então converte-se em calicreína e esta activa o fator XII.
  • O fator XII activado acaba convertendo mais prekalicreína em calicreína e activando o factor XI. Na presença de íos cálcio, o fator XI ativado ativa o IX. Por sua vez o factor IX activado junto com o factor VIII activado, levam à activação do factor X. Deste modo, o complexo enzimático constituído pelo factor X activado, juntamente com o factor V activado e Ca++, denomina-se de Protrombinase.

[editar] Vía Extrínseca

  • Após a lesão vascular, o fator tecidual (fator III) é lançado e forma junto ao fator VII ativado um complexo (Complexo FT-FVIIa) que irá ativar os fatores IX e X.
  • O fator X ativado junto ao fator V ativado formam um complexo (Complexo protrombinase) que irá ativar a protrombina em trombina.
  • A trombina ativa outros componentes da coagulação entre eles os fatores V e VII (que ativa o fator XI que por sua vez ativa o fator IX). Os fatores VII, juntamente com o factor tecidual e Ca++ ativados formam o Complexo Tenase Extrínseco que por sua vez ativa o fator X.

[editar] Formação da Trombina

O ponto comum entre as duas vías é a ativação do fator X em fator Xa. Por sua vez, o Fator Xa converte a protrombina em trombina. A trombina tem várias funções:
  • A principal é a conversão do fibrinogênio em fibrina. O fibrinogênio é uma molécula constituída por dois pares de três cadeias diferentes de polipeptídeos. A trombina converte o fibrinogênio em monômeros de fibrina e ativa o fator XIII. Por sua vez, o fator XIIIa liga de forma cruzada a fibrina à fibronectina e esta ao colágeno.
  • Ativação dos fatores VIII e V e seus inibidores, a proteína C (na presença de trombomodulina).
  • Ativação do Fator XIII.

[editar] Co-fatores da coagulação

  • Cálcio: Age mediando a ligação do Fatores IXa e Xa junto as plaquetas através da ligação terminal dos resíduos gamma-carboxi dos fatores IXa e Xa junto a fosfolípideos da membrana das plaquetas. O cálcio também está presente em vários pontos da cascata da coagulação.
  • Vitamina K: Adiciona um carboxil ao ácido glutâmico residual dos fatores II, VII, IX e X e também as proteínas C, S e Z.

[editar] Inibidores da Coagulação

Três substâncias mantêm a cascata da coagulação em equilíbrio. Defeitos quantitativos e qualitativos destas susbstâncias podem aumentar a tendência a trombose.
  • Proteína C: Age degradando os fators Va e VIIIa. É ativado pela trombina em presença da trombomodulina e da co-enzima proteína S.
  • Antitrombina: Age degradando as serino proteases (trombina, FXa, FXIIa e FIXa)
  • Inibidor do Fator Tissular: Inibe o FVIIa relacionado com a ativação do FIX e FX.
Exemplos de anticoagulantes farmacológicos:

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Vaticano incentiva pesquisa com células-tronco adultas

desejo de colaborar com a ciência, no front da saúde.
No total, 350 especialistas, personalidades políticas, bispos e embaixadores, participaram de três dias de reuniões dedicadas a esse assunto mal conhecido pelo grande público e que aparece como uma alternativa ao recurso às células embrionárias.
Em maio de 2010, a Santa Sé havia assinado com a empresa biofarmacêutica americana NeoStem um acordo sobre o uso de células-tronco adultas, o que valeu um repasse de US$ 1 milhão, num primeiro acordo contratual jamais assinado pelo Vaticano com uma sociedade comercial.
Para a Igreja, a pesquisa tem a imensa vantagem de não interferir na vida desde a concepção, ao contrário das células retiradas dos embriões, consideradas promissoras por numerosos cientistas, mas que acarretam a destruição desses embriões.
As células estaminais adultas que ficam, por exemplo, na medula espinhal, no sangue ou no fígado, podem se transformar para formar tecidos com usos terapêuticos múltiplos: podem curar doenças como a esclerose em placas ou as leucemias.
Segundo o presidente da fundação americana Stem for Life, Max Gomez, a pesquisa pôs em evidência uma perpectiva particularmente promissora: tratadas especialmente, essas células podem não apenas regenerar os tecidos de onde provêm, mas também adaptar-se a outros tecidos. Essas terapias em pleno desenvolvimento abrem novas esperanças, principalmente para as pessoas com doenças cardíacas e a diabetes.
Segundo Gomez, 3.5 mil tratamentos estão sendo realizados no mundo. No total, 160 empresas, a maioria delas americanas, trabalham nesses programas como parte de um mercado que deverá representar US$ 88 bilhões em 2014, de acordo com a Fundação.
Monsenhor Ignacio Carrasco de Paula, presidente da Academia pontifical para a Vida, considerou que a própria realização do colóquio põe por terra a ideia segundo a qual a Igreja “estaria em briga” com a ciência, “permanecendo fechada como no século XVIII”, numa atitude hostil.
Em pesquisa médica, a Igreja sabe que não existe “alternativa” à experimentação no homem, destacou o prelado, mas o que vale é que o homem não deve jamais ser “objeto” mas “sujeito”. “Os atores são dois, médico e paciente”, disse o cardeal Gianfranco Ravasi, presidente do Conselho pontifical da Culture, que organizou o encontro.
“Nosso corpo tem a capacidade de curar o que está doente, sem destruir nenhum embrião”, afirmou Tommy Thompson, ex-secretário americano da Saúde, de 2001 a 2005. Segundo ele, o presidente Barack Obama deve criar uma comissão em nível presidencial para ampliar a colaboração com o setor privado, principalmente para desenvolver as terapias a partir das células-tronco adultas.
Enquanto a população envelhece, os tratamentos longos a que se submetem milhões de enfermos, entre eles os diabéticos, agravam os orçamentos dos Estados, quando poderiam ser curados logo, segundo Tommy Thompson. Um possível acordo “bipartidário” (republicanos/democratas) sobre o assunto começa a tomar forma, disse.
Heather Abrams, jovem americana que tinha um linfoma de Hodgkin e foi submetida a um transplante, in extremis, aos 6 anos no ano 2000, contou que o tratamento com células-tronco adultas a obrigaram a ficar um mês de cama, mas permitiu a ela uma “ressurreição”.